Silas Corrêa Leite




René Magritte
 


The poet decree/ Estatuto del poeta
 
 
Poema do Cristo Crucifixado
(Para Mel Gibson)
 
Tomo a tua dor, Cristo crucifixado
E quero Te tirar desse horror
Quero arrancar o cravo nos teus pés pregado
Para dar o conforto de meu singelo amor
 
Sinto a tua dor, Jesus, de Teu estado
E quero Te salvar desse terror
Soltar teus braços abertos no lenho armado
Cantar-Te uma cantiga, dar-Te um cobertor.
 
Sinto a tua dor, meu Deus, aí pregado
Que verte o teu sangue sagrado, condutor
Que Te ver puro e eterno, ressuscitado
Dormindo no meu colo de pobre pássaro-flor...
 
Tomo a tua dor, grandioso espírito elevado
E fazer-me Teu discípulo, servo e pastor
Pois desceste do calvário e no céu reinas alado
Livre do martírio de antigo império pecador
 
Tomo a tua dor, meu Deus bem-aventurado
Humanos te levam como salvo-conduto redentor
 
Mas insistem ainda em Te manterem crucifixado
Quando vives e reinas em teu infinito Amor!
 
 
 
THE POET DECREE - ESTATUTO DE POETA
Primeiro Rascunho Para um Esboço de Projeto Amplo, Total e Irrestrito
First scratching for a wide and unirresticted outline Project.
Silas Corrêa Leite
Artigo Um
1st Item
Todo Poeta tem direito de ser feliz para sempre, mesmo além do para sempre ou quando eventualmente o "para sempre" tenha algum fim.
Every poet has the right of being happy for ever, even beyond the forever or when the “forever” has an end.
Artigo Dois
2nd Item
Todo Poeta poderá dividir sua loucura, paixão e sensibilidade com mil amores, pois a todos amará com o mesmo prelúdio nos olhos, algumas asas nas algibeiras e muitas cítaras encantadas na alma, ainda assim, sem lenço e sem documento.
Every poet could share his madness, passion and his sensibility with thousands of loves, once he will lover everyone with the same prelude at his eyes, some wings into the pocket and many enchanted zithers into his soul, even so, without handkerchief and document.
 
Parágrafo Único
Single Item
Nenhum Poeta poderá ser traído, a não ser para que a ex-Musa seja infeliz para todo o resto dos dias que lhe caibam na tábua de carne desse Planeta Água.
None of poet could be betrayed, but to his ex-Musa be unhappy for her days in life, which fit on her flesh table of this Water Planet.
 
Artigo Três
3rd Item
Nenhum Poeta padecerá de fome, de tristeza ou de solidão, até porque a tristeza é a identidade do Poeta, a solidão a sua Pátria, sendo que, a fome pode muito bem ser substituída por rifle ou cianureto. E depois, um poeta não precisa de solidão para ser sozinho. É sozinho de si mesmo, pela própria natureza, com seus encantários, mundo-sombra e baladas de incêndio.
None of poet will suffer of hunger, of sadness or suffer of loneliness, even so, sorrow is the poet identity and solitude his Homeland, because the hunger can well substituted for gun or cyanide. Afterwards a poet doesn’t need of loneliness to be alone. And alone in himself, by the own Nature, with its enchants, world of shadow, and its ballads of fire.
 
Artigo Quatro
4th Item
A Mãe do Poeta será o magno santuário terreal de seus dias de lutas e sonhos contra moinhos e erranças de gracezas e iluminuras.
The poet’s mother will be the great earthy sanctuary of his days of fight and dreams against mills wanderings of laughings and enlightenings.
Filho de Poeta será como caule ao vento, cálice de liturgia, enchente em rio: deverá adaptar-se ao Pai chamado de louco por falta de lucidez de comuns mortais ou velado elogio em inveja espúria.
The poet’s son will be like a stem of the wind, a liturgy chalice, and like a torrent of a river: He must adapt to his father who is called a mad man by lack of common mortal lucidity, or veiled praise in a spurious envy.
 
Artigo Quinto
5th Item
Nenhum Poeta será maior que seu país, mas nenhuma fronteira ou divisa haverá para o Poeta, pois sua bandeira será a justiça social, pão, vinho, maná, leite e mel, além de pétalas e salmos aos que passaram em brancas nuvens pela vida. E depois, uns são, uns não, uns vão, uns hão, uns grão, uns drão – e ainda existem outros.
None of poet will be greater than his country, however there will not be any frontier or boundary to him because his flag will be the Social Justice, bread, wine, manna, milk, and honey, besides rose petals and psalms to that ones who passed into white clouds all their lives. Afterwords, some are, others are not, some go, some there are, some are grains, some drão.
 
Artigo Sexto
6th Item
A todo Poeta será dado pão, cerveja, amante e paixão impossível, o que naturalmente o sustentará mental e fisiológicamente em tempos tenebrosos ou de vacas magras, de muito ouro e pouco pão.
Bread will be given to every poet, and so, beer, lover and impossible passion, which naturally will sustain him mentally and physiologically in gloomy and hard times of much gold and few bread.
 
Artigo Sétimo
Nenhum Poeta será preso, pois sempre existirá, se defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da Legião Estrangeira do Abandono, à qual sabe pertencer, com seu butim de acontecências, ou seu não-lugar de, criando, ser,
estar, permanecer, feito uma letargia, um onirismo.
 
7th item
None of poet will be arrested, once there always will be a poet, and he will defend and will write in self-defense of the honor and of the Forsaken Foreign Legion , to which the poet knows how to belong, like a lethargy , a dreamliker
 
Artigo Oitavo
A infinital solidão do espaço sempre atrairá os Poetas.
Item 8th
The Space infinital solitude will attract poets.
 
Artigo Nono
Caso o Poeta viaje fora do combinado, tome licor de ausência ou vá morar no sol, nunca será pranteado o suficiente, nem lhe colocarão tulipas de néon, dálias aurorais, estrelícias de leite ou dente-de-leão sob o corpo que combateu o bom combate. Será servido às carpideiras, amigos, parentes, anjonautas e guardiões, vinho de boa safra por atacado, mais bolinhos de arroz, pão de minuto e cuque de fubá salgado.
 
9th Item
Should the poet travel out from the combined, take an absent licor sip or go to live at the Sun, Never you will be cried enough, nor you will be put neon tulips, dawn dahlias, little stars of milk or lion tooth on the body which combated the gift of combat. You will be served to the spinsters, friends, angelnautas and to keepers, wine of a good harvest at sale, plus little rice balls, minute bread and salted maize flour kitchen.
 
Artigo Décimo
Poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos, as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do cinzel interior, criativo, sua aura abençoada e seu halo com tintas de luz para despojar polimentos íntimos em verso e prosa, como pertencimentos, questionários e renúncias.
 
10th Item
A poet won’t need more than his radar eyes, his hands of a sensorial craftsman in the skill of his creative internal graver, his blessed breeze and his halo with light inks to drop verses and prosas of intimate polishings, like belongings , questionnaires and renounces.
 
Artigo Décimo-Primeiro
Poeta poderá andar vestido como quiser, lutar contra as misérias e mentiras do cotidiano (riquezas impunes, lucros injustos), sempre buscando pela paz social, ou ainda mamando na utopia de uma justiça plural-comunitária. Quem gosta de revolução de boteco é janota boçal metido a erudição alcoólica e pseudo-intelectual seboso e burguês. Poeta gosta mesmo de humanismo de resultados. De pegar no breu. A luta continua!
 
11th Item
A poet could walk dressed as he likes , fight against the poverties, and against the lies of the day by day, (unpunished wealths, unjust profits) always search for the Social Peace , or yet sucking at the plural-common justice. That one who enjoys pubs revolution is an elegant dandy conceited as an alcoholic scholar, and as a pseudo- intellectual greasy and a bourgeois. What even a poet likes, is humanism of results, is to grasp the pitch. The fight goes on !.
 
Artigo Décimo-Segundo
Poeta pode ser Professor, Torneiro-Mecânico, Operário, Jardineiro, Fabricante de Bonecas, Vigia-Noturno, Engolidor de Fogo, Entregador de Raposas, Dono de Bar ou Encantador de Freiras Indecisas. Poeta só não poderá ser passional, insensível, frio ou interesseiro. Ao poeta cabe apenas o favo de Criar. O poeta escreve torto por linhas tortas (um gauche), poesilhas (poesia rueira e descalça) e ficção-angústia. Escreve (despoja-se) para não ficar louco...para livrar do que sente. O Poeta, afinal, é um "Sentidor"
 
12th Item
A poet can be a teacher, a mechanic turner, a worker, a gardener, a doll manufacturer, a night watcher, a fire swallower, a fox deliverer, a pubs owner, or a hesitant nuns enchanter . A poet only can’t be an insensive passional, cold or selfish one. It is only fitted to the poet the gift of create. A poet writes in a tortuous way by tortuous lines ( a gauche) poesilhas (a streety and unboot poesy ) anguish fiction . He writes (deprives himself) not to become crazy….to get rid from what he feels. A poeta at last is a feeler.
 
Artigo Décimo-Terceiro
Se algum Poeta for acusado levianamente de alguma eventual infração ou crime, a dúvida o livrará. E se o Poeta dizer-se inocente isso superará palavras acima de todos e sua fala será sentença e lei. A ótica do Poeta está acima de qualquer suspeita, e ele sempre é de per-si mesmo o local do crime da viagem de existir. Mas pode colaborar com as autoridades, cometendo um crime perfeito. Afinal, só os imbecis são felizes.
 
13th Item
If a poet is accused thoughtlessly of a eventual infraction or crime, the doubt will get him free. And if the poet say himself innocent, this fact will overcome words above all and his speech will be a law statement. The view of the poet will be above any suspicious and he is always “de per si” even in the crime place of the travel of being. At last, only the stupeds are happy.
 
Parágrafo Único
Poeta não erra. Refaz percursos. Poeta não mente. Inventa o inexistente, traduz o impossível, delata o devir. Poeta não morre. Estréia no céu.
Simple item
A poet doesn’t commit mistakes. He redoes his ways. A poet doesn’t lie. He invent the inexistent, translate the impossible and inform the future.
 
Artigo Décimo-Quarto
Aos Poetas serão abertas todas as portas, até as invisíveis aos olhos vesgos e comuns dos mortais anônimos, serão abertos todos os olhos, todas as almas, todos os caminhos, todas as chamas, todos os cântaros de lágrimas e desejos, todos os segredos dessa dimensão ou fora dela, num desespelho de matizes.
 
14th item
All doors will be opened to the poets, til the invisible ones at the aninimous mortals’crossed-eyes. And also to the poets, every eyes will be opened, and every souls, and every ways, and every flames, and every pichers of tears and wishes, and every secrets of this dimension will be opened as well, in a unmirrow shade.
 
Artigo Décimo-Quinto
A primeira flor da primeira aurora de cada dia novo, será declarada de propriedade do Poeta da rua, do bairro, do país ou de qualquer próximo Poeta a confeitar como louco, como ermitão ou pioneiro, de vanguarda. Em caso de naufrágio ou incêndio, poetas e grávidas primeiro
 
15th item
The first flower of the first dawn of each new day will be declared property of the street poet , and of the district and the country one, or of any person close to the poet who candies crazily, like an hermit and like a forefront pioneer . In the case of a shipwreck, poets and pregnant women first.
 
Artigo Décimo-Sexto
Não existe Poeta moderno, clássico, quadrado, matemático como pelotão de isolamento, ou só aleijado por dentro, pois as flores e os rios não nascem nunca iguais aos outros, sósias, nem os poemas são tijolos formais. Nenhum Poeta poderá produzir só por estética, rima ou lucro fóssil. Poesia não é para ser vendida, mas para ser dada de graça. Um troco, um soneto, uma gorjeta, um haikai, um fiado pago, uns versos brancos, um salário do pecado, um mantra-banzo-blues. E todo alumbramento é uma meia viagem pra Pasárgada.
Poeta é tudo a mesma coisa, com maior ou menor grau de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências, portanto, com carga maior ou menor de visão, lucidez, sensoriedade canalizada entre o emocional e o racional, de acordo com a sua bagagem, seu vivenciar, seu prisma existencialista de bon vivant. Poeta há entre os que pensam e os que pensam que pensam. Entre os que são e os que pensam que são. A todos é dado a estrada de tijolos amarelos para a empreita de uma caminhada que o madurará paulatinamente. Ou não. Todo poeta é aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são todos sementes, e sabem que precisam ser flores e frutos, para recriarem, para sempre, a eterna primavera.
Todo aquele que se disser Poeta, assim o será, ou assim haverá de ser
 
16th item
A modern, clasical, squared, mathematical, doesn’t exist as a privacy squad or only crippled in his interior as well, once the flowers and the rivers don’t birth alike each other, sosias Neither the poets are formal bricks. None of poet could yield only for asthetics, for rhyme or for fossi profits . Poesy is not to be sold but to be given free. A change, a sonnet, a gift, a tip, a haikai, a debt paid, some white verses, a sin wage, a mantra banzo-blues. And every childbirth is half a travel to Pasárgada.
All poet is the same thing, with lesser or bigger degree of misery and lessons of wisdom of these sufferings, therefore, with a lesser or bigger load of vision, lucidity, sensory, all channeled between the emotional and the rational, according to his baggage, his way of living, and his existentialist prism of a bon vivant. There is a poet among those ones who thinks and among those ones who thinks that thinks .And there poets among those ones who are and those who aren’t as well. The road of yellow bricks is given to all, so that they develop their task work of a walking which will ripen them gradually.
 
Parágrafo Um
O verdadeiro Poeta não acredita em Arte que não seja Libertação. Saravá, Manuel Bandeira!
Simple item
The true poet doesn’t believe in art which be not liberation. Saravá Manuel Bandeira !
 
Parágrafo Dois
Poeta bebe porque é líquido. Se fosse sólido comia.
 
2nd paragraph
A poet drinks because it is liquid. If it were solid he would eat it.
 
Parágrafo Três
Poeta é como a cana. Mesmo cortado, ralado, amassado, ao ser posto na moenda dos dias, ainda assim tem que dar açúcar-poesia
 
3rd paragraph
A poet is like a cane. Even cut, grated, squashed, when he is put into the milling of day, even so, he has to produce sugar poesy.
Inciso Um
Poeta também bebe para tornar as pessoas mais interessantes.
 
1st interruption
A poet also drinks to turn people interesting ones.
 
Parágrafo quatro
Poeta não viaja. Poeta bebe. E todo Poeta sabe, que o fígado faz mal à bebida.
 
4th paragraph
A poet doesn’t travel. He drinks. And every poet knows that the liver turns a drink bad.
 
Artigo Décimo-Sétimo
Poeta terá que ser rueiro como pétala de cristal sacro, frequentador de barzinhos como anjo notívago, freguês de saunas mistas como recolhedor de essências, plantador de trigais amarelos como iluminador de cenários, cevador de canteiros entre casebres de bosquíanos, entre o arado e a estrela, um arauto pós-moderno como declamador de salmos contemporâneos entre extraterrestres.
 
17th item.
A poet will have to be a wanderer like sacred crystal petals, and to be a pub frequenter like a nocturnal angel, and to be a client of the mixed saunas as a collector of essences, and as planter of yellow wheat, like a illuminator of canaries, fattener of corners among woodlander shacks, between the plow and the stars, a poet will also have to be a postmodern herald as a nowadays psalm declaimer among extraterrestrials.
 
Parágrafo Único
Poeta rico deverá ainda mais amar o próximo como se a si mesmo, ajudando os fracos e oprimidos, os Sem Terra, Sem Teto, Sem Amor, para então se restar bem-aventurado e poder escrever cânticos sobre a condição humana no livro da vida. Poeta é antena da época. E o neoholocausto do liberalismo globalizador é o câncer que ergue e destrói coisas belas.
 
Simple paragraph
A reach poet should love the other yet more as he loves himself, helping the weak and pinched people and help those ones without land, roof and love as well, so that he could rest himself well blessed and he could write carols about human conditions on life book. A poet is an antenna of his time . And the new holocaust of the liberalism is the cancer which raise and destroy beautiful things.
 
Artigo Décimo-Oitavo
A todo Poeta andarilho e peregrino como Cristo, São Francisco ou Gandhi, será dado seu quinhão de afeto, sua porção de Lar, seu travesseiro de pétalas de luz. Quem negar candeia, azeite e abrigo ao Poeta, nunca terá paz por séculos de gerações seguintes abandonadas entre o abismo e a ponte para a Terra do Nunca. Quem abrigar um Poeta, ganhará mais um anjo-da-guarda no coração do clã que então será abençoado até os fins dos tempos.
 
18th item
To all wanderer and pilgrim poet like Christ, Saint Francisco or Gandhi, will be given bit of affection, his share of home, and his pillow made of light petals. That one who deny candle, oil and shelter to a poet never will have peace for centuries of the following abandoned generations between the depth and the land of saint never. That one who shelter a poet will gain more a guard angel added to the heart of the group who will then blessed until the ends of times.
 
Parágrafo único
O sábio discute sabedoria com um outro sábio. Com um humilde o sábio aprende.
 
Simple paragraph
A wise man discuss wisdom with another wise man. He learns with a humble man.
 
Artigo Décimo-Nono
Poeta poderá andar vestido como quiser, com chapéus de nuvens, pés de estrelas binárias ou mantras de ninhos de borboletas. Nenhum Poeta será criticado por fazer-se de louco pois os loucos herdarão a terra e são enviados dos deuses. "Deus deve amar os loucos/Criou-os tão poucos..." - Um Poeta poderá também andar nu, pois assim viemos e assim nos moldamos ao barro-olaria de nosso eio-Éden chamado Planeta Água. E a estética para o poeta não significa muito, somente o conteúdo é essência infinital.
 
19th item
A poet could walk dressed as he likes, with cloud hats, feet of binary stars or mantras of butterfly nests. None of a poet will be criticized by becoming mad because the mad poets will inherit the land and will be sent to the gods . “ God mus love the mad poets / He created them so few…” A poet also could walk naked once we came in this way and in this way we shape ourselves with the clay into the clay work of our link – Eden which is called Water Planet. And the aesthetics to a poet doesn’t mean much, only the content is essentially infinite for him.
 
Artigo Vigésimo
Poeta gosta de luxo também, mas deve lutar por uma paz social, sabendo a real grandeza bela de ser simples como vôo de pássaro, simples como pouso em hangar fantástico, simples como beira de rio ou vão de cerca de tabuínha verde. Só há pureza no simples.
 
20th item
A poet like luxury also, however he mus fight for social peace, as he knows the real greatness of being simple as the edge of a river or a range of little green board fence. The is only pureness into the simple pets.
 
Artigo Vigésimo-Primeiro
Nenhum Poeta, em tempo algum, por qualquer motivo deverá ser convocado para qualquer batalha, luta ou guerra. Mas poderá fazer revoluções sem violência. Poderá também ser solicitado para ser arauto da paz, enfermeiro de varizes da alma ou envernizador de cicatrizes no coração, oferecendo, confidente, um ombro amigo, um abraço de ternura, um adeus escondido feito recolhedor de aprendizados ou visitador de bençãos, ou ser circunstancialmente um rascunhador clandestino de alguma ridícula carta de suicida.
 
21th item
None of poet at any time, must be summoned to a struggle or war, what ever can be the motive however he could do revolutions without violence. He could also be requested to be a heralder of peace, a male nurse of the soul wounds or a polisher of scars on the heart as he offer a confident and friendly shoulder and a hug of tenderness, and a hidden farewell like a collector of learnings of visitor of blessings or being circumstantially a secret scratcher of a letter from someone who committed suicide
 
Artigo Vigésimo-Segundo
Mentira para o Poeta significa cruz certa. Aliás, poeta na verdade nunca mente, só inventa verdades tecnicamente inteiras e filosoficamente sistêmicas...
 
22th item
A lie to a poet means a right cross. Otherwise, a poet in deed, never lies, he only creates truths technically complete and philosophically systemic ones….
 
Artigo Vigésimo-Terceiro
Musa-Vítima do Poeta será enfermeira, psicóloga, amante, mulher-bandeira, berço esplêndido, Santa. Terá que ser acima de todas as convenções formais, pau para toda obra. No amor e na dor, na alegria e na tristeza, até num possível pacto de morte.
 
23th item
Musa- victim of a poet will be a nurse, a psychologist, a lover, a flag woman, a magnificent cradle and Saint. She should be over all formal conventions and a tool for whatever works. In love and in pain, in joy and in sadness, until in a possible pact of death.
 
Artigo Vigésimo-Quarto
Poeta não paga pensão alimentícia. Ou se está com ele ou contra ele. Filha e sobrevivente de uma relação qualquer, ficarão sob sua guarda direta e imediata. Ex-Mulheres serão para sempre águas passadas que não movem moinhos, como velas ao vento de uma Nau Catarineta qualquer, como exercícios de abstrações entre cismas, ou como aprendizados de dezelos íntimos de quem procura calma para se coçar.
 
24th item
A poet doesn’t pay alimony . Or someone is with him or against him. A daughter or a survivor of whatever a relationship will be direct and immediately under his guard. Ex-women will be forever past waters which don’t move mills, as candle in the wind of any Catarineta ship, as exercises of abstractions among worries or as learning of intimacy unzeals of that one who looks for calm to scratch himself.
Artigo Vigésimo-Quinto
Revogam-se todas as disposições em contrário
CUMPRA-SE - DIVULGUE-SE
 
 
LIVRO DE MÁGOAS
 
 Livro de Mágoas.
Ainda vou escrever um.
Quase um diário.
Desabafos, contradições, teatro
E uma procura por mim
Nos porões de trastes velhos de mim
 
 
Livro de Mágoas.
Carteiros, anjos e carpideiras.
Mil sofreguidões.
Alma contraditória e doente
Torturada por um misticismo
Cercado de dragões e arquétipos sazonais.
 
  
Livro de Mágoas.
Exercício de solidão, prurido.
Inventários e partilhas.
Cárcere, genuflexório, inconsciente
O drama de não se sentir:
Cavalos selvagens mortos a machadadas.
 
 
 
 AMOR SE INSTALA
 
 Silenciosamente como um ácaro
 O amor se instala
 E logo se faz pleno e raro
 Como cicatriz de bala
 E abre em sensoriais, o faro
 De fragrâncias em gala
 (E como, assim, não tocá-lo
 Desde quando se instaura?)
  
O amor é assim, cavalgá-lo
 É no olhar dizer a aura
 Fazer o peito cantar de galo
 Como loucura – que não sara
Silenciosamente e assim tão caro
O amor pede para amá-lo
E a paixão torna centauro
O ser louco. Por ser fauno.
 
 
 
TAMARINDO
 
 
Se eu escolhesse ser um fruto
Seria Tamarindo
Não conhecendo esse fruto
(Tez, estética, sabor, gume, gula)
Gostaria de sê-lo e, às vezes
Sou-o
 
 
Sou um Tamarindo que não é
E não o sendo
Pertenço-me, fruto, nessa tez
Estética, Sabor, Gume, Gula, Néctar
E açúcar de mil encantários
Sabor de
 
 
O que é exatamente Ser Tamarindo?
Não sei se sei
Mas querendo ser e às vezes me sendo
(Maduro, doce, flor, fruto, outono)
Sinto-me pomar, bosque e esperança
Sementeiro
 
E sei que um dia ainda serei um tamarindeiro!
 
 
 
O  TAO  DA  POESIA
 
O que é o Tao da Poesia?
A rima – Conhecimento?
O Que é o Tao da Poesia?
A métrica – Pilar do templo?
O que é o Tao da Poesia?
A metáfora – Asa-alumbramento?
O Tao é o conhecimento
A poesia, a oxigenação da alma
No seu onírico firmamento
Então o Tao vai sendo
A reflexão que bem o acalma
Além do lastro que vai perdendo
 
Poesia é loucura: sensorial
Tao é procura (e filosófico)
Poesia é ritmo musical
Tao é sísmico – self súbito
Poesia é imagética, angelical
Tão é anímico, dom, instintal
 
No entanto
Nesse culto circuito
Um e outro somam o quantum
De só mesmo um único dígito
 
O fermento poesia
Em harmonia, melodia e ritmo
E o Tao, filosofia
Como a música que cria o próprio espírito
 
 
 
 
DANÇA  COM  LOBOS
 
 Estive em todas as épocas
Mas não me tiraram para dançar
Assim voltei para caçar
Os predadores
 
Estive em todos os tribunais
E me crucificaram para pagar
Assim voltei para julgar
Os delatores
 
Estive em todos os céus
E me destruíram para anular
Assim voltei para afundar
Os navegadores
 
Estive em todas as mortes
E me condenaram a Voltar
 
ASSIM VOLTEI PARA RECRIAR
TODOS OS HORRORES!
 
  
 
DIAS  DE  CHUVA
 
Gosto da melancolia
Dos dias de chuva
Ler Neruda, Lorca, Pessoa, Bandeira
Tomar cerveja preta
Ouvir Tom Jobim
 
Fico aberto como um lotus zen
Sensível como lagarta de couve
E tenho na alma também
O perfume do jasmim
 
Sou frágil
Sou simples
Sou muito triste mesmo assim
 
Gosto da melancolia
Dos dias de chuva
Que é quando estou de plena posse de mim.
 
 
 
 
O  POETA NÃO É
 
 
O poeta não é. O poeta está sendo.
Cada cicatriz que lhe vai ocorrendo
É um poema
Laboratório de si mesmo.
 
Poeta não é, só vai se enriquecendo
Em cada dor no seu íntimo havendo
Brota a criação
Açúcar de seu ser lesmo.
 
Poeta é conjunto do que vai vendo
O belo, o mágico – ou o horrendo
Tudo numa soma
Confeito lhe interagindo
 
O poeta só quer por si só ir escrevendo
No enfoque que se introjeta lendo
(O lado humano
No poema então residindo)
O poeta não é. O poeta vai sendo.
Tudo o que lhe envolve, vai se desfazendo
Em puro fazer poético
Ser, estar, permanecendo...
 
 
 
O   GADO
 
O gado no campo
Procura compreender o seu dono
Lavrando, lavrando
Com raiva, com medo, com sono
 
O gado no campo
Procura compreender o Humano
Correndo, chorando
Como se se fundasse no dano
 
O gado no campo
Procura compreender a humanidade
A igreja, o banco
A cela, a solidão, a saudade
O gado no campo
Procura avaliar o seu estado
(E vê o Ser Humano
No redil de sua sina confinado!)
 
 
DO SANTO QUE BAIXAVA NA EDICLEIDE
 
Edicleide recebia santo nas horas mais impróprias
Quando no trem, na lavanderia, na aula de ginástica
O exu vinha brabo e o caboclo queria seu endereço
No cavalo sem querer ser que a pobre Edicleide era
 
Pendia a fronte marrom, com baba rugia, falava grosso
Queria cachaça, senzala, troncos de memórias e curiosos
E assim se dava até o inexplicável e inusitado vexame de
Incorporar em hora errada o seu sujeito afro brasilis
 
Fez cursos, terapias, macumbas, despachos, pediu ajudas
Mas não era dela e nem desse mundo os feitios das vivendas
Quando baixava o santo com voz de oboé Edicleide varria
O terreiro com danças macabras, capoeiras, estripulias
 
Um dia em deleite de hora íntima, peleja, côncavo e convexo
Em que fazia amor com o seu namorado Tonico Pretinho
Baixou-lhe o santo em hora erra, ela urrou feito coisa possessa
Expropriando o assustado companheiro submisso sem derrama
 
Depois de livre desse incompreendido e estranho encalhe exótico
O bem de Edicleide para sempre se escafedeu da face da terra
Não quer de amante e desfrute uma mulher de timbre grosso
Nem mais montar cavalo, se um simplório machista latino era
 
 
 
 
DIA DE CAUBY
 
Tem dia que eu acordo Elis Regina
E canto Casa no Campo
Como Nossos Pais
Ou Madalena e Arrastão
 
Tem dia que eu acordo Jamelão
E canto Lupiscínio
E com fascínio canto até samba-enredo
Ou samba-canção
 
Mas tem dia que eu acordo puto da vida
E é exatamente nesse dia
Que eu faço poesia e canto
 

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