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 Ambrosia / Ambrósia
Autor: José Geraldo Neres

 Prefácio: Izacyl Guimarães Ferreira

selección poética originalmente escrita en portugués,
traducida para el castellano por: Marcela Collins

 dedico essa seleção poética aos meus filhos: Vinicius e Gabriela Neres dos Santose à três mulheres especiais que compartilham este momento em meu caminhar: Maria Odete (minha mãe), Beth Brait Alvim (minhamaestra), e Ana Maria Buim (minha amada)


dedico esa selección poética a mis hijos: Vinicius y Gabriela Neres dos Santos y a la tres mujeres especiales que comparten este momento en mi caminar: Maria Odete  (mi madre), Beth Brait Alvim (mi maestra), y Ana Maria Buim (mi amada)

Ambrosia ou licor que conferia a imortalidade a quem o bebesse; dizem os brâmanes que pela posse desse maravilhoso licor houve grandes lutas entre os bons e os maus gênios. Mitologia Indiana. Fonte de pesquisa: "Diccionário das Mitologias Européias e Orientais", de Tassilo Orpheu Spalding

Ambrosía o licor que concedía la inmortalidad a quien lo bebiera; dicen los bramanes que por la posesión de ese maravilloso licor hubo grandes luchas entre los buenos y los malos genios. Mitología Hindú. Fuente de búsqueda: "Diccionario de las Mitologías Europeas y Orientales", de Tassilo Orpheu Spalding

 

BEBER  A  IMORTALIDADE

Izacyl Guimarães Ferreira

Toda obra de arte carrega a aspiração à imortalidade, embora os cemitérios guardados pelas várias musas estejam superlotados de anonimatos. Uma injustiça do tempo, pois toda pessoa tem o direito de tentar afrontar os deuses, de tentar alguma forma de perenidade, senão a eternidade. Através da arte ou mesmo só de crenças, na reencarnação ou no paraíso.

Num mundo de bilhões, além das almas não recenseadas, haja espaço para tanta “gente” e tanta pintura e canção e poesia. Tanto grafito e espetáculo. Que fazer para sobreviver, como tentar gravar  o nome na memória do mundo dos vivos?

Mas há os mitos e neles nos amparamos para enfrentar os deuses, seja para persuadi-los, seja para imprecarmos contra seus ocultos desígnios. Um desses artifícios é o que inspira José Geraldo Neres.  O do poder do licor ambrosia, aludido no início destes seus textos, inspirados na mitologia indiana.

O poeta revela nos seus textos, algo misteriosos, que terá provado amostras do licor maravilhoso, pois suas palavras estão carregadas  de provocações ao sonho, à magia, na procura de um amor espiritualizado mas carnal, claramente carnal, como a propor que a desejada imortalidade fosse mesmo a do aqui e do agora, concreta e real, não uma transformação a naturezas que apenas podem ser imaginadas.

Isso é o que parece demonstrar, ao terminar seu livro com a palavra gênesis. Começar de novo? Tal, a sonhada imortalidade? Carregar para esse reino do depois as armas e as carnes conhecidas do hoje? O mito  do eterno retorno está nesta audácia de terminar dizendo gênesis.

Ponderemos algo sobre a poética de José Geraldo Neres, adepta do mínimo alusivo e confiante no poder encantatório da brevidade. Pois há todo um campo da imaginação e da poesia que parte do real e o abandona para habitar o onírico, o hipnótico, o não lógico, buscando na invenção, no ocultismo,  no mágico, as palavras que sobrevivam ao desgaste de seu uso corrente. Uma poesia que rejeita as formas do visível e parte para a viagem do imaginário absoluto. Às vezes, como Neres, com textos mínimos. Creio que Neres transita à vontade por este campo, alheio aos apelos do real, quando escreve, e como aquela “criança na névoa do tempo” brinca, faz o jogo dos deuses, que é o de jogar conosco, e “navega”, diz ele, “na barca desejo”, e baila entre estrelas, nos limites dessa sonhada  terra da imortalidade, que vai tentando transpor num transe “palavreiro”.

Esta é uma poética de risco e Neres não a teme. De risco, digo, pois requer a cumplicidade do leitor para viajar por territórios desconhecidos, e a citada barca é feita só de palavras, poucas, de trechos de sonhos.

Os artistas plásticos têm a vantagem de uma linguagem que não recorre à prosa utilitária. Como os músicos. Já o poeta tem que vencer a barreira do sentido usual. Este o seu risco, o ter de reinventar a roda em cada poema.  Uma roda útil, que seja bela. (Sigam minhas aspas  no próprio texto do autor, em trechos do livro, que pode ser lido como um poema único.)

Neres, “sem estratégia, sem medo-amanhã” se entrega à “caçadora”, corre o risco da grande aventura que é o verso nosso de cada dia. Em busca da imortalidade que os deuses parecem reservar para poucos.

Nesta busca vamos todos, escrevendo, lendo, quem sabe crendo. Um modo de fugir das certezas, ou das incertezas, viver outra vida.

Que você, leitor, mereça “navegar” com ele. Aproxime a taça e beba, devagar, sufruindo, sua licorosa ambrosia.

Izacyl Guimarães Ferreira - Poeta, ensaísta e tradutor de poesia.

 

Brinca a criança
na névoa do tempo
dezessete pedras
giram o castelo
nas
       sandálias da lua
o mar selvagem
se curva
 
"eu" menino
no colo
da melodia do céu

Juguetea el niño
en la niebla del tiempo
diecisiete piedras
giran el castillo
en las
          sandalias de la luna
el mar salvaje
se curva

"yo" niño
en el regazo
de la melodía del cielo

fruto pecado
maça morde pêra
macio corpo
jovens
corpos colados
temendo a liberdade


 
fruto pecado
manzana muerde pera
suave cuerpo
jóvenes
cuerpos pegados
temiendo la libertad


 

Renovo
 
na barranca
pintura de medo
perfume de lua
 
com tranças de árvore
teço um balanço
e bailo nas estrelas
a ciranda dos sonhos

 
Renuevo
 
en la barranca
pintura de miedo
perfume de luna

con trenzas de árbol
hilo un columpio
y bailo en las estrellas
el enigma de los sueños


 

Parte II
 
n’aquarela
gritos
dilaceram
girassóis
ávido dia
 
um rumo

 
Parte II

en la acuarela
gritos
dilaceran
girasoles
ávido día

un rumbo
 

Ápice
 
sexo grita
as dores do arco-íris
espasmo secular
libertino firmamento
esquina escura, sagaz
 
(gotas insanas)
 
relevo sem tramas

 
Ápice 
 
sexo grita
los dolores del arco iris
espasmo secular
libertino firmamento
esquina oscura, sagaz

(gotas insanas)

relieve sin tramas
 

Outrora
 
nas lágrimas
a face misturada
lava outras faces
flerte
com o gozo do oceano

 
Otrora

en las lágrimas
la faz mezclada
lava otras faces
flirt
con el gozo del océano

 

Cântico
 
âmago
ser libertino
mescla-se com líquido
em manhoso êxtase
o deleite compassa o desatino
tatuo um poema no seu dorso
manifesto silente de mistérios
a madrugada estimula tramas
estrelas brincam no espelho d’alma
orvalho
o paladar do amanhecer
são versos
em papiro imaculado

 
Cántico

esencia
ser libertino
mézclase con líquido
en mañoso éxtasis
el deleite acompasa el desatino
tatuo un poema en su dorso
manifiesto silente de misterios
la madrugada estimula tramas
estrellas juguetean en el espejo del alma
rocío
el paladar del amanecer
son versos
en papiro inmaculado


 

Ambrosia
 
com vestes estelares
dragões na cintura
almejo o dueto do orvalho
flama
no peregrino dorso
refúgio das lágrimas cristais
 
nutrír
dias passados
fragmentar
as faces da lua
 
alvo – alvorecer
pássaros
traduzem em cânticos
o sumo êxtase


 
Ambrosía
 
con trajes estelares
dragones en la cintura
anhelo el dueto del rocío
flama
en el peregrino dorso
refugio de las lágrimas cristales

nutrir
días pasados
fragmentando
las fases de la luna

blanco - amanecer
pájaros
traducen en cánticos
el supremo éxtasis

 

Blues
 
roçar arco-íris
com dedos cristalinos
sussurrar palavras extintas
no dicionário da floresta carnal
punhal aveludado
bálsamo em cicatriz azul
ingênuo instante
poema bilíngüe
modela nuvens de algodão

 
Blues

rozar el arco iris
con dedos cristalinos
susurrar palabras extintas
en el diccionario de la floresta carnal
puñal aterciopelado
bálsamo en cicatriz azul
ingenuo instante
poema bilingüe
modela nubes de algodón

 

Carmim
estrela marinha
aquário de vento
gota tecelã
suspensa
 
(olhos-tempestade)
 
quimera
do seio lunar
contorna
o orvalho
 
pedra de fogo
lateja
na
aquarela-ventre
 
gênesis


Carmesí
estrella marina
acuario de viento
gota tejedora
suspensa

(ojos-tempestad)

quimera
del seno lunar
contornea
el rocío

piedra de fuego
pulsa
en la
acuarela-vientre

génesis

 

enCanto
 
no leito
silhueta
o sol brilha
nos lábios místicos
 
na porta
o som dúbio
chama-me a bailar
nas chamas versos
 
reina-mulher
cavalga
e
alimenta
 
tatua seu mapa
neste peregrino
 
na barca-desejo
enigmas
e
o suor da noite
 
sem estratégia
sem medo-amanhã
me entrego
ô caçadora!
 
avalon
se desenha
na seiva
navego
                   

enCanto
 
en el lecho
silueta
el sol brilla
en los labios místicos

en la puerta
el sonido dudoso
me llama a bailar
en las llamas versos

reina-mujer
cabalga
y

alimenta

tatua su mapa
en este peregrino

en la barca-deseo
enigmas
y
el sudor de la noche

sin estrategia
sin miedo-mañana
me entrego
¡oh, cazadora!

avalon
se diseña
en la savia
                   navego

 

O autor: José Geraldo Neres - domingo de cuatro de diciembre, 1966 (Garça/SP/Brasil), la primera morada

Poeta/escritor, estudiante de dramaturgia y guionista de cine, cofundador del Grupo Palavreiros (grupo de escritores/poetas residentes en la ciudad de  Diadema - SP - Brasil), actual Coordinador de Comunicación y Webmaster del sítio PALAVREIROS http://www.palavreiros.org, co-editor da revista digital "Poética Social".  Idealizó y organiza el festival día mundial de la poesía, que esta en su tercera edición; contando con la participación de más de 1000 poetas de 38 países. La edición de 2004 es un homenaje al poeta “Pablo Neruda” http://www.palavreiros.org/festivalmundial/home.html

"2º lugar" en la 3ª Muestra de Artes de la ciudad de  Diadema - Premio Cultural Plínio Marcos, modalidad literatura(poesías: Dorso de luna y En la piel del sol). "Mención Honrosa" en la 3ª Muestra de Artes de la ciudad de  Diadema - Premio Cultural Plínio Marcos con el cuento Fragmentos de Pétalos. (Julio/2003). Finalista del - Mapa Cultural Paulista – Literatura; poesía, clasificado para fase provincial-2003/2004(son 700 ciudades, siendo clasificado treinta poetas para la final en 2004).

Antologias Poéticas(internacionais): COMO ANGELES EN LLAMAS / Algunas voces latinoamericanas del S. XX. / Selección. -- Editorial Maribelina, sello de la Casa del Poeta Peruano / Lima(previsão de lançamento abril/2004 no Uruguay). "Antología bilingüe, castellano-alemán: MeloPoeFant International, el cual contiene un melón poético-literario de varios poetas de América Latina, de España y de Alemania, durante los encuentros en los diversos centros y casas culturales de Berlín durante la " IX. Cita de la Poesía: Berlín - Latinoamérica", que empezará en mayo del 2004."(único poeta brasileño en esta antología ), Alejo Ediciones, Ediciones Melopoefant 2004. Antología "LA CÓSMICA VEREDA DE UN POEMA", se presentará en el X FESTIVAL POÉTICO LATINOAMERICANO -"PABLO NERUDA" y "RUBÉN ASTUDILLO Y ASTUDILLO", el 17, 18 y 19 de junio de 2004 - Cuenca - Ecuador.

Antologias Poéticas(brasileiras): "Alabastros" (Março/2002) e "Tempos Perplexos - Poética Social" (Depto Cultura de Diadema, Diadema/SP - Agosto/2002), "Certas Cartas e Cartas Certas e outros poemas" Antologia bilíngüe (português e español) sem previsão de lançamento. "Onze autores da Web" (Ottoni, 2003). “Roda Mundo, Roda gigante”, Antologia Internacional será lançada dia 29/7/2004. (Editora Ottoni). 

E-book: “Pássaros de Papel em Nuvens de Algodão” -- Autores: José Geraldo Neres e Clevane Pessoa de Araújo Lopes. (AVBL -  www.josegeraldoneres.ebooknet.com.br )

Poemas editados na Revista “CULT” edição nro 78, ano VI, março de 2004(sendo apresentado pelo poeta, tradutor, ex-presidente da UBE Cláudio Willer), na Revista A Cigarra (ano 20 nro 37), Nozarte (ano VII, nro11, 2002 - editores: Ricardo Alfaya e Amelinda Alves, Rio de Janeiro), Metamorfose (Revista de cultura e literatura Geral, ano 1, nro 1, USP), Revista LOTE(Argentina), Revista Cultural Yuku-Jeeka (viento de lluvia) México, Suplemento cultural diario “Del Yaqui” (México). Edición 4 de la revista “HORIZONTE DE PALABRAS” (Nicaragua). Antología de haikais: "Terebess Asia Online (TAO) - Haiku International // Haicaístas brasileiros"
 
Publicaciones en prosa, poesía en internet en sítios brasileños y en la Argentina, Chile, Colombia, Ecuador, España, Estados Unidos, Inglaterra, México, Portugal, Puerto Rico, Suíça, Venezuela.

jgneres@uol.com.br

www.palavreiros.org

http://www.palavreiros.org/festivalmundial/home.html

http://www.palavreiros.org/josegeraldoneres.htm

Izacyl Guimarães Ferreira - Nasceu e viveu por muitos anos no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima, José Carlos Lisboa Hélcio Martins, Cleonice Berardinelli e Augusto Meyer, na FNF da UFRJ, na antiga sede da Esplanada do Castelo.

É poeta, ensaísta e tradutor de poesia.

Ex-publicitário, trabalhou também em TV e Vídeo, sendo co-autor de um Dicionário de Mídia, com Neyza Fugler, editado pela Rede Globo. Como redator e diretor de agências de propaganda operou no Brasil, no Rio e em São Paulo, e no exterior - Estados Unidos, Uruguai, Venezuela e Peru.

Entre 1984 e 1999 prestou serviços ao Ministério das Relações Exteriores como Diretor do Setor Cultural de Embaixadas e de Centros de Estudos Brasileiros no Uruguai, na Costa Rica e na Colômbia. No exercício destas funções promoveu aspectos da cultura brasileira e intercâmbios literários e artísticos nos países citados. Parte deste trabalho se refere a traduções de autores brasileiros para o espanhol tais como: Drummond, Bandeira, Murilo, João Cabral, Ferreira Gullar, e de poetas hispânicos para o português, entre os quais San Juan de la Cruz, Jorge Guillén, Pedro Salinas, Rafael Alberti, Soror Juana Ignez de la Cruz, Octavio Paz, Jaime Sabines, Juan Tablada, José Asunción Silva, Amanda Berenger e Washington Benavides.


higefe@uol.com.br
www.amigosdolivro.com.br/izacylguimaraesferreira/index.php